Doença Do Carrapato, É Esse Bicho De 7 Cabeças Mesmo?

Você sabia que não é só uma doença que o carrapato transmite?

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Doença de carrapato, um guia definitivo sobre o assunto

 

Doença do carrapato é esse bicho de 7 cabeças mesmo? 

Você com certeza já ouviu falar da temida doença do carrapato. Hoje vou te explicar tudo o que você precisa saber sobre ESSAS doenças! Exatamente, “essas” no plural mesmo!

O carrapato do cachorro transmite várias doenças, babesiose, anaplasmose, hepatozoonose e erliquiose!

 Todas possuem algumas similaridades e também outros aspectos completamente distintos entre elas. Ainda não é compreendido completamente pela grande maioria dos tutores as diferenças entre essas doenças, só falam sempre que é “doença do carrapato”.

Tudo bem, todas são transmitidas pelo mesmo vetor, o Rhipicephalus sanguineus.

 

Doença do carrapato em cachorros
Rhipicephalus sanguineus

 

 

Mas conhecimento nunca é demais e é bastante importante você saber mais sobre elas!

E hoje eu estou aqui pra te falar das duas mais importantes, a ERLICHIOSE E A BABESIOSE!

Bom, primeiro vamos começar entendendo mais sobre o vetor, o carrapato do cachorro!

Rhipicephalus sanguineus, o carrapato do cachorro

Você já sabe que ele é o culpado pela transmissão dessas doenças, mas existem algumas coisas que você precisa saber sobre ele. Já que é ele que transmite.

É só não ter contato com ele que o seu cachorro fofo não terá essas doenças!
PS: Transfusão sanguínea com sangue infectado também é passível de adquirir essas doenças.

E é exatamente isso que vou te ensinar agora!

Essa espécie de carrapato possui alguns comportamentos típicos, e eles são conhecidos como carrapatos de hábito nidícola, ou seja, vivem nos ninhos do hospedeiro (cachorro)!

 “Como assim ninhos?”
“Cachorro não tem ninho”

Entende-se por ninho, o local onde ele dorme, a casinha de cachorro por exemplo!

É lá que esse carrapato tem o hábito de ficar a espreita do seu cachorro, então anota aí. É O PRIMEIRO LUGAR QUE VOCÊ DEVE PROCURAR POR CARRAPATOS!

Outro comportamento típico, é o de ser heteroxeno. Heteroxeno significa que ele precisa de mais de um hospedeiro para se reproduzir.

“Ah, mas eu só tenho um cachorro, ele não vai se reproduzir então?”

VAI! Sempre que ele precisar fazer a muda de larva pra ninfa, de ninfa para adulto, ele irá ter que ir pro ambiente e voltar pro seu animal. E aí que mora o pulo do gato!

95% DOS CARRAPATOS NÃO ESTÃO NO SEU CACHORRO! ESTÃO NA SUA CASA!

“Aonde?”

Você deve estar se perguntando… Bom, um local já te contei, na casinha do seu cachorro é o primeiro lugar que você deve olhar.

O outro local que você deve olhar é devido ao comportamento de “geotropismo negativo”, esse comportamento significa que o Rhipicephalus sanguineus prefere locais de maior altitude, longe do solo.

Então, ANOTA AÍ! MUROS, PAREDES CHAPISCADAS, FRESTAS NA PAREDE, FISSURAS NA PAREDE entre outros são locais de preferência deles.

De NADA adianta você controlar os carrapatos no seu animal, se você não controlar no ambiente também, e agora você já sabe exatamente onde esses carrapatos estarão.

Lembre-se que: A DOENÇA DO CARRAPATO É UMA ZOONOSE. Tanto a erlichiose quanto a babesiose podem afetar humanos, se o seu lar é infestado de carrapatos e você não controlou eles no ambiente, VOCÊ PODE SER VÍTIMA DA DOENÇA!

Pergunte ao médico veterinário qual o melhor produto pra eliminar os carrapatos do ambiente, e também o melhor medicamento pra eliminar o carrapato do seu cão.

A eliminação do carrapato é um ato de amor pelo seu animal e pela sua saúde!

Ok, agora vamos falar da doença do carrapato conhecida como babesiose!

 

 

Doença do carrapato
Babesia canis

A babesiose é TRANSMITIDA pelo carrapato, mas NÃO É CAUSADA pelo carrapato. O agente etiológico responsável pela doença é um protozoário chamado de Babesia spp.

Aqui no Brasil, tanto o protozoário Babesia canis quanto o Babesia gibsoni causam a doença.

Quando esses protozoários que ficam na saliva do carrapato são injetados pra dentro da corrente sanguínea dos cães, eles infectam células sanguíneas, principalmente os glóbulos vermelhos, as hemácias.

Após parasitadas, esses protozoários começam a se reproduzir, e é quando ocorre a reprodução que as hemácias serão rompidas liberando as novas células protozoárias que irão pra outras hemácias se reproduzirem e romperem elas…

Além disso, o sistema imune também destrói as hemácias parasitadas na tentativa de controlar a doença, então as pobres hemácias serão destruídas tanto pelo organismo, quanto pelo parasita.

O Ciclo

Esse ciclo prolongado gera o sinal clínico que mais conhecemos, a anemia! Que nada mais é que o número de células vermelhas reduzidas.

Porém, esse tipo de anemia é completamente diferente da anemia causada pela erlichiose! Logo mais irei te explicar o porquê.

Além da anemia, o rompimento das hemácias libera hemoglobina na corrente sanguínea, que será eliminada nos rins, e devo te contar que a hemoglobina é tóxica aos rins, então anota aí lesão renal também pode ocorrer e a coloração da urina será escura!

O restante da hemoglobina que os rins não conseguirem eliminar, vão se acumular no fígado, se transformando em bilirrubina e posteriormente se acumulando nos tecidos, gerando a icterícia. Aquele amarelado nas mucosas.

 

Doença do carrapato diagnostico
Icterícia

Além disso, esse excesso de hemoglobina que será transformado em bilirrubina pode desencadear um aumento do fígado e baço, o que é chamado de “hepatoesplenomegalia”

A babesia também causa uma diminuição das plaquetas pela inflamação que ela gera nos vasos sanguíneos, já que é lá que a infecção acontece, e essa diminuição de plaquetas é um processo chamado de “trombocitopenia”

Como as plaquetas são células do processo de coagulação,

BAIXA PLAQUETA = FACILIDADE DE HEMORRAGIAS.

Essa mesma inflamação nos vasos sanguíneos, quando ocorrem nos vasos do sistema nervoso, podem desencadear sinais neurológicos (agressividade ou apatia e depressão, paralisia, desequilíbrio, incoordenação motora)

E o que leva meu cão a morte?

A falta de oxigênio e o choque hipotensivo (pressão arterial muito baixa). 

As hemácias servem para carregar o oxigênio, se tem pouca hemácia ou a pressão arterial está baixa, a oxigenação dos tecidos fica bastante prejudicada.

E isso causa danos a diversos órgãos do corpo que necessitam de grande quantidade de oxigênio para funcionar adequadamente. E aí podemos ter diversos outros sinais clínicos relacionados a lesões em órgãos afetados por essa condição.

A babesia tem cura?

SIM!!!!

E é comprovado que caso o diagnóstico seja precoce e combinado a um tratamento eficaz, as chances de cura são altíssimas!

Porém, seu cachorro não ficará imune a ter novamente a doença caso ele seja curado. Se ele for parasitado por carrapatos novamente, ele terá as mesmas chances de contrair novamente a doença.

jamais tente curar doenças com tratamentos mirabolantes, somente um médico veterinário sabe o que deve ser feito! ele estudou pra isso!

 

E a erlichiose? Vamos falar dela agora!

 

Doença do carrapato
Erlichia canis parasitando um glóbulo branco

A erlichiose, é uma outra doença do carrapato que diferente da babesiose, é causada por uma bactéria chamada de Erlichia canis e é igualmente transmitida pelo carrapato no momento em que ele faz o repasto sanguíneo.

Essa bactéria ao adentrar a circulação sanguínea do animal parasitará células brancas! Lembra que a babesia é nas células vermelhas?

“Ah, mas se ela parasita células brancas, então não vai ter anemia?”

Vai, mas de um jeito diferente e MAIS GRAVE! Lembra que células brancas fazem a nossa defesa contra bactérias, vírus, fungos e etc.

 

A Erlichia canis é uma bactéria que parasita células que nos defendem contra bactérias, e agora?

Agora o corpo precisa usar um mecanismo para se defender contra esse organismo chamado de “Sistema complemento” que forma um composto chamado de “MAC – Complexo de ataque à membrana” que é como se fosse uma arma nuclear que destrói tudo que ele encosta e aí gera o problema.

Essa batalha ocorre dentro dos vasos sanguíneos então irá ocorrer uma vasculite (inflamação dos vasos) e esse composto chamado de MAC acabará sendo filtrado pelos rins e lá ele causará uma destruição das células renais (glomerulonefrite).

Os rins nos cachorros também servem para produzir um hormônio, a eritropoietina, que sinaliza para medula óssea que ela deve produzir células vermelhas.

Como as células dos rins serão destruídas, a produção desse hormônio ficará prejudicada e então a medula irá parar a produção de hemácia, gerando então a anemia por uma hipoplasia de medula (diminuição da produção de células pela medula).

ISSO É GRAVÍSSIMO!

Agora você já sabe que a erlichiose afeta os rins, a médula óssea, as células sanguíneas e ela também ocasiona diversos outros sinais clínicos decorrentes destes três principais que te expliquei.

 

E a erlichiose tem cura?

SIM, TAMBÉM TEM!! 

Caso o diagnóstico seja precoce e o tratamento eficaz, as chances de cura também são altíssimas.

Mas, assim como a babesia, depois de curado, se o animal tiver contato com o carrapato novamente, ele pode adquirir a doença de novo.

Viu porque é importante manter sempre o ambiente livre de carrapatos?

 

“ahh, agora entendi a doença do carrapato, mas meu animal pode ter tanto a erlichiose quanto a babesiose juntas?”

Sim. É possível que o cão tenha só erlichiose, só babesiose ou as duas juntas, e nesse caso, é um agravante, mas mesmo assim possui boas chances de cura com o tratamento eficaz.

 

E por isso é fundamental que você previna a doença do carrapato, ou melhor as doenças do carrapato!

Já te dei dicas de como fazer isso, eliminando os carrapatos no ambiente e também no animal. 

E caso seu animal teve ou tem contato com carrapatos, é fundamental que você o leve ao veterinário quando perceber qualquer anormalidade ou sinal clínico.

 

“Quanto mais cedo for instituído o tratamento pelo médico veterinário mais chances ele terá de ser curado da doença do carrapato!”

 

Uma boa alimentação ajuda e muito na recuperação de um animal, se quiser saber qual é melhor tipo de alimentação para seu cachorro toque aqui.

 

REFERENCIAL EXTERNO

http://files.animaltime.webnode.com/200000572-763c77736c/Babesiose%20e%20Erliquiose%20-%20Monica%20Ramos%20Figueiredo.pdf

https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/19483/1/Dantas-Torres_tese_revisada%5B1%5D.pdf

http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/3xn9DXDeegcC0qg_2015-4-9-11-35-24.pdf

 

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